Você já ensinou seus filhos a não falar com estranhos?


Sabia que esta tem se tornado uma lição difícil de cumprir? Certamente você não imagina a quantidade de perfis falsos que existem nos sites de relacionamento, e o quanto pode ser simples burlar algumas regras de segurança nas principais redes sociais da atualidade. Tão fácil que talvez até mesmo seus filhos já tenham feito isso, ou todos eles já tinham mais de quatorze anos quando entraram no facebook? Visto que esta é a idade mínima para abrir uma conta na empresa, de Mark Zuckerberg. Qualquer um, hoje pode entrar em contato com seus filhos e falar com eles o que quiser, conversar e convencê-los de coisas que talvez não fariam se não fossem coagidos, é claro que existem controles para isso e leis que protegem os usuários, mas muitas vezes o triste resultado final que temos são casos de exposição e abuso sexual. 
Calma pais, não quero que se assustem logo no início, pois precisamos falar sobre isso, afinal é quanto à segurança de seus filhos que estamos preocupados. Eu sei que pode ser difícil para você imaginar que sua princesa poderia ter vontade de se expor para um estranho, ou impensável que seu garoto fizesse algo parecido. Mas eu tenho que te dizer que é possível que aconteça, independentemente da idade deles, classe social, por quem estão sendo criados, os amigos com quem conversam, a escola que frequentam e nem que seja por algum erro dos pais. Esses fatores podem contribuir, mas não se culpe essa é uma questão que merece muito mais cuidado e apontar culpados não é um caminho interessante.
Acontece que os adolescentes são curiosos, todos somos, esta é uma característica intrínseca. E tudo que mais nos atrai como seres humanos são as sensações, aquilo que sentimos e nos faz acreditar que estamos de fato vivos. Além disso Freud, o pai da psicanálise, disse que tudo que move a raça humana parte de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser grande. Então a questão nada tem a ver com “falta de vergonha na cara”.
Mas então como proteger nossos jovens e fazer com que cheguem na vida adulta sem traumas, para eles e suas famílias? Porque alguém que é abusado no mundo virtual, mesmo que nunca tenha sido tocado fisicamente sofrerá graves consequências.
 Um exemplo aconteceu em Buenos Aires, na Argentina. Dois pais descobriram que sua filha de 11 anos havia sido vítima de assédio, neste caso foi um adulto em um perfil falso que manipulou a jovem e conseguiu vídeos íntimos que já circulavam por diversos sites. Mesmo que esses pais me pedissem entre lágrimas, que alguém os pudesse ajudar a eliminar esses vídeos eu teria que dizer que é impossível. É claro que existem leis e em sites regulares como o Youtube, por exemplo, ele poderia ser excluído. Mas a partir do momento que o conteúdo foi para a rede, é tarde demais, não temos mais controle. Agora vocês podem imaginar o sofrimento dessa família? Esta garota acorda todas as manhas e toma café com seus pais e irmão que viram o vídeo, ela vai para a escola e brinca com seus amigos, todos que já a viram nua no computador. Seu corpo não foi violado, mas sua sexualidade foi abusada. Isso acontece por que a internet deixou de ser somente um mundo virtual, ela está conectada com o mundo real.
E se muitas vezes não permitimos que nossos jovens viajem sozinhos, vão à escola, ou que vão ao shopping desacompanhados por que os deixamos tanto tempo a sós com estranhos na internet, sem nenhum tipo de acompanhamento ou perguntas sobre o que fazem lá?
Eu costumo dizer que estar na internet pode ser comparado com estar no meio da rua, nunca é totalmente seguro, mas se você se cuidar não será atropelado e pode chegar onde quiser. Então tudo que você achar que pode fazer ou falar no meio da rua, pode ser feito nas redes socias, o contrário disso é proibido seja no site que for. Esta é uma análise que permite muita flexibilidade de pensamento e expressão e pode ser que seus filhos não estejam prontos para fazer este julgamento sozinhos. Vocês precisam conversar sobre os limites da rua.
Também é comum que os pais digam que não se interessam por “essas coisas” ou que sabem somente o “básico de computador”. Então como fazem para guiar seus filhos por um território que lhes é desconhecido? Como conseguem conversar sobre suas dores, angustias e curiosidades que vivem no precioso mundinho de seus celulares? Como conhecê-los a ponto de saber suas preferências musicais, ideológicas, sexuais e artísticas?
Esta conversa que não estamos tendo sobre abuso digital e comportamentos é o que está expondo nossos jovens a estes perigos, nem sempre existe um manipulador muitas vezes essas inquietações podem estar vindo deles mesmos, por tantos motivos que precisamos entender. O diálogo é a chave e a senha de entrada para ajuda-los e nem sempre ele vem fácil e naturalmente, precisa ser cultivado e regado, as vezes até suavemente forçado, pois quando não é possível ( e nem recomendado) vigiar é preciso perguntar para saber algo, Assim sendo  uma coisa é saber usar a internet com maestria, outra, bem diferente, é saber se cuidar lá.

 

Josiane Scharneski