Outliers, a teoria das 10 mil horas e a lição de casa

 

Para começar, duas perguntas:
 

  1. Você já ouviu falar da teoria das 10 mil horas?
  2. Você tem o costuma de fazer a lição de casa?


 

Depois de vários estudos e pesquisas realizados por Malcolm Gladwell, autor do famoso livro “Outliers”. Em seus estudos, ele percebeu que as pessoas consideradas talentosas/habilidosas em um determinado assunto apresentavam um total acumulado ao longo de suas trajetórias de 10 mil horas de dedicação. Relativamente, o que equivale a aproximadamente 20h por semana, durante 10 anos, o que seria o tempo necessário para ser de fato considerado especialista em alguma coisa.

                É claro que existem críticas a respeito da conclusão e temos que considerar que as pessoas são diferentes umas das outras. Embora essa não seja uma regra e nem uma conta exata, mas a teoria ressalta que a quantidade de tempo que você dedica para se aperfeiçoar e praticar suas habilidades é o que fará você se destacar ou simplesmente ser bom em algo.

 

            Horas de Prática

As vezes subestimamos o poder do tempo dedicado e passamos a colocar a responsabilidade no talento nato ou simplesmente no nosso QI. Outro detalhe importante, para acumularmos horas de prática: nem sempre é necessário estarmos imersos com diversos livros sobre a mesa, uma lousa cheia de anotações e post its por todos os lados ou rios de anotações, e é aqui entra a LIÇÃO DE CASA.

                Já deve ter acontecido com você, sair da aula animado e até sentir aquela vontade de produzir, estudar e se dedicar, mas não saber por onde começar e como fazer isso sozinho. E de fato, isso não é tão simples. A lição de casa serve para isso, acompanhar a linha de raciocínio posta em aula. E aqui temos 3 bons motivos para nunca mais deixar de fazer a lição de casa:

 

1. Ela amplia a quantidade de horas acumuladas: se você já faz 2 horas de aulas semanais, ao adicionar o treino em casa e realização da tarefa já pode contabilizar fácil mais 1 à 2h de conteúdo em sua semana.

 

2. Senso de comunidade e valorização do profissional: O ser humano é um sujeito social e tem a necessidade de ser reconhecido. A sua turma vai se sentir valorizada e o profissional (professor) vai gostar de saber que você teve o cuidado de realizar a lição. Isso mexe com a motivação de ambos os lados.

 

 

3. Sua autoestima acadêmica: a “lição de casa” é algo que atravessa gerações e isso acontece por um motivo: ELA FUNCIONA. Quando você faz a tarefa e vê resultados a sensação é de felicidade e realização, isso faz com que sinta que é capaz e que está no caminho certo. Assim ao estudar o conteúdo você não deixa a peteca e nem motivação caírem.

 

Acontece que nem sempre é possível fazer a lição de casa, e tudo bem se em algum momento isso acontecer. Sejamos realistas: preguiça, falta de tempo, momentos difíceis e muitos outros motivos legítimos podem fazer com que você não faça suas tarefas ou não consiga se dedicar como gostaria, por isso, fique tranquilo,  talvez demore um pouquinho mais, mas você vai chegar lá, seus resultados virão, não precisa ficar triste, todos nós atravessamos momentos de dificuldades, não existe problema em mostrá-los.

Um dos maiores problemas é que somos criados para esconder nossos erros. Isso faz com que nos sintamos culpados e até com vergonha quando não conseguimos chegar perto da perfeição.

 

Mas vamos tentar RESSIGNIFICAR esses sentimentos ruins?

 

Conheço alunos que preferem faltar a aula ou mentir quanto ao fato de não terem feito a lição de casa. Cá entre nós, isso não faz nenhum sentido. Até porque não é para isso que essa ferramenta serve.

        Nós professores também podemos rever nossas atitudes frente a isso, claro que para os mais jovens acabamos tendo de monitorar com mais afinco essa questão de atividades, pois além de incentivar a realização da lição, precisamos acolher sem negligenciar as faltas e falhas de nossos alunos. É complexo, mas estamos tentando.

Sugiro essa mudança na forma de ver a lição de casa, ao invés de sinônimo de chatice ou castigo, veja a lição de casa como uma aliada/companheira de jornada na tarefa de acumular horas prática. Por isso separe um tempo para a realização das atividades e também permita-se propor para si mesmo outras variações da mesma, sempre com o objetivos de se conectar cada vez mais com suas habilidades, assim exercitando seus conhecimentos.
                Quando não for possível, livre-se do sentimento de culpa e transforme-o em motivação para tentar de novo em outra oportunidade.

        Veja o que funciona para você: Às vezes quando falta motivação, a disciplina pode ser uma excelente aliada. Crie sua estratégia enquanto estudante e faça as contas, com certeza você saberá identificar a melhor forma e horários para inserir na sua agenda um lembrete para aproveitar o momento da Lição de Casa, como se isso fosse um passo de cada vez, cada vez mais perto do seu objetivo de aprender.

 

Josiane Scharneski